domingo, 28 de junho de 2009

CIÊNCIA PERCEPTIVA APLICADA AO CORRETO USO DOS FARÓIS VEICULARES

Prof. Jacob Bettoni – Diretor do Instituto de Pesquisas em Mecanismos Perceptivos do Instituto de Noergologia da UNIBEM; Autor do livro Revolução de Paradigma na Psicologia; Coordenador do Curso de Pós-graduação em Noergologia da UNIBEM; Diretor Científico da ANINPA – Associação Nacional de Pesquisa e Preservação Ambiental

 

PREÂMBULO

Seria bizarro um Projeto Lei obrigando que determinado procedimento técnico criado com pesquisas científicas devesse obedecer a uma crendice popular ou algo sem pé e nem cabeça do tipo: “Durante cirurgias de cataratas o profissional fica obrigado a cantar a música Parabéns a Você”.

Essa bizarrice está acontecendo no “ousadíssimo” Congresso Brasileiro: um o outro parlamentar, que jamais estudou a ciência perceptiva, sonha com a façanha de superar Don Quixote na inglória tentativa de obrigar por decreto que os mecanismos perceptivos do sistema mente-cerebro deixem de obedecer às milenares leis naturais e passem a obedecer ao que determina o seu projeto exigindo faróis sempre acesos independente do cenário e do contexto.

Os donos do sistema mente-cerebro, ou seja, os motoristas, até podem ser avisados dessa façanha. Mas “sua excelência” está esquecendo-se de acrescentar um inciso indicando como avisar o córtex visual, a glândula Pineal, o nervo ótico, as sinapses e todo o sistema noérgico que a partir de agora eles não podem mais funcionar de acordo com as milenares leis naturais do seu mecanismo devendo se subordinar aos interesses da máquina automobilística.

É o sujeito perceptivo que deve ajoelhar-se perante o bem supremo do farol, o grande suzerano, o Homem a serviço da máquina. Urge corrigir essa inversão de valores, trazendo o sujeito perceptivo para o primeiro plano e criando um sistema em que o trânsito e o farol devem subordinar-se aos interesses do sujeito perceptivo.

INTRODUÇÃO

O preâmbulo e a longa experiência com pesquisa científica dos mecanismos perceptivos á luz da interface pensamento-cérebro sugere que Só com mais luz no saber, usaremos menos luz no farol.

De sorte que a melhor maneira de proteger a sociedade brasileira contra os prejuízos culturais, ecológicos, psicológicos, financeiros, cerebrais, rodoviários e humanos provocados pelo uso indiscriminado dos faróis veiculares é a difusão das descobertas da ciência perceptiva.

Essa apostila é um resumo de ciência perceptiva aplicada ao correto uso dos faróis.

A especialização em mecanismos perceptivos é pouco difusa até mesmo na comunidade científica. Isso criou um clima propício a que o analfabetismo perceptivo, explorado pelos interesses argentários dos lobistas do aftermarketing, contasse com o apoio ou só acrítico ou também corrupto de alguns políticos, que passaram a defender o uso abusivo e indiscriminado dos faróis noturnos durante o dia tropical brasileiro, quando até nos países nórdicos o farol noturno é proibido durante o dia, permitindo-se apenas o farol diurno, o DRL.  

A Associação de motoristas americanos está pedindo a proibição do próprio farol diurno, do próprio DRL. Isso porque tanto o farol noturno quando o DRL quando usados fora do que a ciência perceptiva recomenda, trazem graves prejuízos.  Isso porque a percepção obedece à teoria geral da Relatividade perceptiva de hoffding, o que exige que os faróis imitem uma fotocélula, acendendo ou apagando sempre contracenando com a luminosidade do cenário.  Por isso, o uso dos faróis de forma mecanicista trafega na total contramão da ciência perceptiva. O remédio para essa calamidade social e cultural é EDUCAÇÃO.

 

CONHECENDO O TEMA

FAROL É COMO ENERGIA ATÔMICA: se bem usado faz bem, se mal usado torna-se uma perigosa arma. Pode tanto pode matar quanto salvar vidas: tudo vai depender do MODO DE USO. Não caia no conto da panacéia do farol aceso.

MODOS DE USO DOS FARÓIS: Faróis veiculares podem ser utilizados de dois modos: o modo inteligente e o modo mecanicista ou indiscriminado.

MODO INDISCRIMINADO OU MECANICISTA: faróis indiscriminadamente sempre acesos independente da luminosidade ambiente.

MODO INTELIGENTE: imita a fotocélula que acende ou apaga relativamente à luminosidade ambiente. Acende ao entrar no túnel escuro e apaga logo ao sair.

CATEGORIAS DE FARÓIS: FAROL NOTURNO E FAROL DIURNO OU DRL. FAROL NOTURNO: farol com alta intensidade luminosa próprio para uso exclusivo durante a noite.

DRL: farol de baixa luminosidade para uso diurno criado pela pressão popular revoltada contra o incômodo provocado pelo uso diurno do farol noturno, em países onde as condições atmosféricas indicam o uso de dispositivo luminoso diurno. Enquanto aqui no Brasil alguns retardatários defendem o criminoso uso diurno do velho farol noturno, a associação nacional de motoristas americanos pede o fim do DRL, ou seja, do próprio farol de baixa luminosidade. Se o farol diurno dotado de baixa luminosidade atrapalha imagine a luz do nosso farol convencional noturno sob sol tropical.

QUAL É O MODO CORRETO? O modo inteligente traz segurança ao trânsito, porque obedece à Teoria Geral da Relatividade de Einstein e a todas as descobertas da percepção envolvendo a interface mente-cerebro. Já o Modo Indiscriminado está na contramão da Teoria da Relatividade e de todas as descobertas perceptivas provocando graves prejuízos ao trânsito, ao motorista e ao meio ambiente.

 

 

PARECE, MAS NÃO É!

1)  Contemplando o por do sol do alto de um penhasco a beira do oceano, parece que o sol gira em torno da terra. Mas não é.

2)  Parece certo que enxergamos com os olhos, que uma mulher pelada chama mais atenção do que uma mulher vestida e que toda a frota com faróis acesos melhora a atenção dos motoristas.

3)  É a terra que órbita o sol e não vice-versa.

4)  Não enxergamos com os olhos, enxergamos com o cérebro.

5)  Olhos são apenas transdutores de ondas eletromagnéticas em impulsos neurais.

6)  Para o cérebro não valem as leis da Física, do tipo quanto mais luz melhor a visão.

7)  Faróis sempre acesos seria uma idéia excelente se a visão fosse processada pelos olhos. Mas como a visão é processada pelo cérebro faróis indiscriminados trazem graves prejuízos, porque para o cérebro não valem as leis da Física, mas só as leis universais de funcionamento do sistema nervoso, em que a percepção se otimiza com o estímulo mediano e se deteriora com qualquer overdose estimular. Isso é que estabelece a diferença entre música e barulho, entre degustação e porre e entre iluminação e poluição luminosa.

8)  Mulher pelada não chama atenção numa praia de nudismo onde a nudez é a regra predominante. Nesse caso chamaria atenção se estivesse vestida. Igualmente faróis deixam de chamar atenção quando toda a frota está com faróis acesos. Já o uso do farol de maneira seletiva e exclusiva para ônibus e motos chamará atenção.

 

O QUE É LUZ?

LUZ é a faixa de radiação eletromagnética entre 3800 e 7600ª. Abaixo de 3800ª temos ultravioleta, raios-X, raio gama; acima temos infravermelho, microondas e ondas de rádio. Radiação eletromagnética: origina-se da aceleração de cargas elétricas do elétron dentro do átomo.

EM QUE CONSISTE A PERCEPÇÃO DA LUZ

Farol aceso é uma coisa. Percepção do farol é outra inteiramente distinta: O mundo percebido não é idêntico ao mundo físico (Julian Hochenberg).

PERCEPÇÃO é o processamento ativo transdutivo exclusivo de informações, através do que criamos nossas dimensões de realidade; TRANSDUÇÃO: conversão, decodificação ou transformação de matéria, energia e informação de uma compleição para outra: energia mecânica em térmica, solar em elétrica, mental em neural, eletromagnética em neural, hidráulica em elétrica; TRANSDUTOR: Aparelho gerador de transdução. Os órgãos dos sentidos são transdutores que decodificam freqüência eletromagnética em energia neural, possibilitando o seu processamento cerebral e a comunicação intra e inter organísmica. Decodificadores populares são: a fotocélula que acende a luz ao anoitecer e apaga ao amanhecer; a TV, que transduz freqüência eletromagnética em imagem; o rádio (idem em som) e os micros que são constituídos de várias interfaces de transdução.

PERCEPÇÃO NÃO REPRODUZ, NEM REPRESENTA, NEM RE-PRESENTA: CRIA: Como percepção é processamento ativo criativo transdutivo. É incorreto dizer que ela é uma representação, porque ela não substitui nada. Se percepção não reproduz poderia então representar uma imagem fotográfica do mundo exterior? Esta idéia do século passado foi abandonada porque a criação noérgica é algo totalmente diferente do que existe no mundo físico: as ondas de 650Na do mundo físico aqui no meu mundo noérgico são degustadas como cor vermelha. No mundo físico não existe cor, tanto quanto os 650a não existem no mundo perceptivo. É verdade que existe no mundo conceitual que foi criado pelo mundo perceptivo, mas que é claramente distinto dele, como nos ensina o triângulo Eccles-Popper.

Poderia ser a percepção uma re-apresentação, isto é, apresentação de novo? Também não. Perceber não é reproduzir, representar, nem re-apresentar o mundo físico, é criar uma dimensão noérgica nova, um mapa mental essencialmente diferente do mundo físico. Aqui também vale o slogan nunca confunda mapa com território.

 

TESTE DE CONHECIMENTO PERCEPTIVO: CERTO OU ERRADO?

1.  Um farol aceso a um metro dos seus olhos sadios, sem nada que o perturbe, será obrigatoriamente enxergado por você

2.  Prestamos mais atenção no trânsito se todos os faróis veiculares estiverem acesos

3.  Somente com os olhos é que conseguimos enxergar

Pesquisa realizada com pessoas de diversas camadas sociais e níveis culturais indicou que 95% dos entrevistados consideraram corretas as três afirmativas acima; 3% indicaram uma das questões como errada e apenas 2% consideraram todas as respostas rigorosamente erradas.

Uma coincidência admirável é que 55% das pessoas que classificaram como CERTAS as três questões também são favoráveis ao uso contínuo dos faróis veiculares. Mostraram-se contrárias ao uso diurno indiscriminado dos faróis 100% dos que perceberam serem erradas todas as três questões.

De sorte que existe uma relação inversa entre conhecimento dos mecanismos perceptivos e a idéia de que faróis veiculares diurnos usados indiscriminada e continuamente seriam benéficos ao trânsito. Por outro lado é direta a relação entre conhecimento dos mecanismos percerptivos e condenação taxativa do uso engessado e mecanicista dos faróis veiculares.

ESCLARECENDO AS TRÊS QUESTÕES

Um farol aceso a um metro de distância dos seus olhos sadios, sem nada que o perturbe será obrigatóriamente enxergado por você.

Esta hipótese foi refutada empiricamente num experimento induzido pelo Dr. Conrad G Muller, da Universidade da Califórnia: uma luz permaneceu acesa a um metro de distância de pessoa com olhos sadios. Um jogo de espelhos obrigava o sujeito a enxergar apenas e exclusivamente a lâmpada acesa. Após sessenta segundos lá continuava o sujeito olhando para a lâmpada, que continuava acesa, porém a pessoa começou a informar que não mais estava enxergando aquela luz.

Esse fenômeno é conhecimento como o ENUNCIADO DA CEGUEIRA FOCAL DE MULLER. Essa cegueira focal acontece por uma série de razões, entre as quais podemos relacionar: a) a Lei da Atenção ao Estímulo Mutante; b) a visão cerebral como processo ativo de criação; c) a cronaxia.

Resumindo: a) na realidade nós não enxergamos com os olhos. No moderno conceito perceptivo, olhos são apenas transdutores. Quem realmente enxerga é o cérebro, especialmente o lobo occipital. Todas as percepções são processos ativos e não passivos. Ou seja, a apresentação do estímulo luminoso não garante a percepção. O que garante a percepção é o processamento ativo das informações transduzidas pelos olhos.

Esse processamento obedece às leis perceptivas “noérgicas”, ou seja, pertencentes ao sistema mente-cérebro. Uma dessas leis científicas é a Lei da Atenção, cujo enunciado diz: “75% de todo o nosso sistema de atenção perceptiva procura os estímulos mutantes e apenas 25% do nosso sistema perceptivo processa os estímulos constantes”

Um exemplo popular ilustra esse mecanismo. Qual a mulher que chama mais atenção: uma mulher de vestido longo, de biquíni ou pelada?

Popularmente imagina-se que a mulher pelada chama mais atenção. Mas quem pensa assim comete o mesmo tipo de erro dos defensores do farol diurno sempre aceso: o que desperta nossa atenção não é nem farol aceso de dia e nem mulher pelada. Tudo vai depender do contexto, do cenário: mulher pelada lá na praia de nudismo do Pinho, não chama atenção. Todavia, mulher de vestido longo na praia de nudismo desperta grande atenção, assim como uma mulher pelada na rua XV também chamaria expressiva atenção: elas chamam nossa atenção quando constituem naquele cenário o estímulo mutante dentro do seu cenário. A mesma mulher de vestido longo na rua XV não desperta a atenção generalizada, tanto quanto a mulher pelada também não desperta atenção generalizada na praia de nudismo, já que nesse caso elas serão apenas ESTÍMULOS PREDOMINANTES. É isso que aprendemos com a Lei da Atenção ao Estímulo Mutante de Muller: pelo mesmo mecanismo, todos os faróis veiculares acesos durante o dia tornam-se ESÍMULO PREDOMINANTE e, portanto perdem o seu potencial de atrair nossa atenção. Todavia, alguns faróis acesos de dia – por exemplo, faróis de ônibus e motos – num cenário com todos os demais faróis apagados, assumem a condição de ESTÍMULO MUTANTE e nesse caso são benéficos.

TEORIA GERAL DA RELATIVIDADE DE EINSTEIN: o uso correto dos faróis é o modo fotocélula. Mais correto ainda se todos os veículos saíssem de fábrica já com fotocélulas instaladas acendendo e apagando os faróis em função relativa ao respectivo cenário. Acende quando entra no túnel ou na garagem escura e apaga assim que sai do túnel. Acende quando entra numa tifa de neblina, apagando automaticamente ao sair da neblina. Afinal é isso que nos ensina a teoria geral da relatividade de Einstein, que foi confirmada como um mecanismo perceptivo conhecido como o:

ENUNCIADO DA RELATIVIDADE PERCEPTIVA DE HOFFDING: Conseqüentemente, a tese do USO INDISCRIMINADO E CONTÍNUO DOS FARÓIS VEICULARES DIURNOS exige a revogação de várias leis científicas e até mesmo da teoria geral da relatividade. Talvez os mesmo políticos que já revogaram a Lei da Gravidade consigam agora numa manobra de megamensalão revogar também as Leis Perceptivas.

Difundir conceitos perceptivos básicos é a melhor forma de evitarmos a catástrofe da gama de prejuízos gerados pelo uso dos faróis ANTI-EINSTEIN: prejuízos ecológicos, científicos, financeiros, psicológicos, incluindo prejuízos diretos aos motoristas – ressaltando como vítimas prediletas os motoqueiros, os viajantes para o leste e para o oeste respectivamente no nascente e no poente e os viajantes noturnos vítimas da pouca luminosidade dos faróis veiculares, desgastados com o temerário uso contínuo e indiscriminado.

ESTÍMULO MUTANTE CHAMA ATENÇÃO, NÃO O FAROL

Andar de farol aceso em dia de sol recebe a advertência de outros motoristas. Este fato verdadeiro foi usado para tirar uma conclusiva falsa: A sinalização que o motorista experiente direciona a quem anda de farol aceso em dia de sol quer dizer: apague o farol e ponha óculos de sol! Você está me incomodando! Alguns espíritos acríticos e marginalizados do progresso feito nas pesquisas do mecanismo da percepção, tendo por única fonte de informação a própria mídia, concluíram daí que se todos os faróis ficassem continuamente acesos o alerta seria geral. O Dr. Conrad Muller refutou empiricamente esta hipótese e Pieron ensina que neste caso, geral será a irritação, o stress, não a atenção. O que chama a atenção num cenário é sempre o estímulo mutante, não o farol, esteja ele aceso ou apagado. Este conceito é mais bem expresso na descoberta na Lei do Estímulo Mutante de Conrad Muller:

¾ dos sensores visuais buscam continuamente o estimulo mutante e apenas ¼ fixa o estímulo predominante.

Isto significa que, num cenário com todos os veículos de farol apagado, alguns pouquíssimos veículos de farol ligado constituem estímulo mutante. O novo código foi sábio ao estipular que apenas ônibus e motos trafeguem com faróis acessos. O que chama atenção é a característica mutante do estimulo e não o farol aceso em si. Uma sinalização intermitente no teto em alguns veículos, uma pintura diferenciada como os táxis usam, fará o mesmo feito de forma não agressiva. Se uma quantidade razoável de carros acender os faróis acesos ou usar sinalizador de teto ou pintura grandemente diferenciada, o farol aceso, o sinalizador ou a pintura diferenciada deixará de pertencer à categoria de estímulo mutante, passando para estímulo predominante. Como conseqüência tais estímulos perdem automaticamente o interesse de ¾ dos nossos sensores visuais. E de lambuja, no caso do farol aceso, passam a perturbar a otimização perceptiva decorrente da overdose estimular.

O padrão mutante já está garantido no cenário do trânsito brasileiro: Excelente luminosidade reflexa mostra carros de vários padrões, formatos, tamanhos e cores. Apenas ônibus e motos com farol diurno efetivamente chamam a atenção, por estarem diferenciados no cenário: não é o farol que chama atenção. É o estímulo mutante. Luz intermitente no teto ou pintura diferenciada chamam a mesma atenção, não agressivamente. Se incluirmos nesta categoria um número maior de veículos, perturbaremos a característica mutante transformando-a em perturbação visual.

Muller testou a preferência visual pelo estimulo mutante, descobrindo que a vista se recusa a enxergar o estímulo fixo e permanente. Mantendo a mesma imagem com um jogo de espelhos durante apenas um minuto surgiu o fenômeno da cegueira focal. O estímulo continuava lá a um metro, mas não era mais visto.

 

CAUSA DE ACIDENTES DIURNOS, EM RETAS E COM TEMPO BOM: DISTORÇÃO PERCEPTIVA E NÃO FALTA DE VISIBILIDADE

Inobstante desconhecidas e pouco citadas, pesquisas feitas por cientistas internacionais e brasileiros determinam que as verdadeiras causas do efeito acidente em retas, ao invés de falta de visibilidade são: (a) distorção da percepção proximal e distal; (b) antecipação cognitiva por prontidão perceptiva.

Pesquisa dos Drs. José Silva e Rozestraten sobre o tema[1] estabelecem as verdadeiras razões de tantos acidentes em retas, de dia, com tempo bom. Trata-se do fenômeno de distorção perceptiva. É um mecanismo natural, fazendo com que, nas ultrapassagens tendemos a subestimar o espaço proximal (entre nosso veículo e o que vamos ultrapassar) e a superestimar o segmento distal (entre o veículo a ser ultrapassado e o que vem em sentido contrário).

São princípios básicos da Percepção que o mundo noérgico não é igual ao mundo físico. A distorção perceptiva não é doença nem disfunção, mas sim um mecanismo perceptivo normal. É ele que faz com que o motorista que vai ultrapassar um carro, enquanto outro lhe vem ao encontro, subestima a distancia entre o seu carro e o carro que vai ultrapassar (eixo proximal). Ao mesmo tempo superestima a distância entre o carro que vai ultrapassar e o que lhe vem ao encontro (eixo distal). Este duplo erro de avaliação perceptiva leva a seguinte situação: o motorista chega a frente do carro que vai ultrapassar, um pouco depois do que pensava; e o carro que lhe vem ao encontro, chega um pouco mais cedo do que ele esperava. Por isto ocorrem tantos acidentes em retas com clima normal. O erro deste julgamento perceptivo, como o próprio nome já o enuncia, só é possível porque a pessoa viu antes para calcular depois. Fica aqui claramente descartado o fator falta de visibilidade.

Outros estudos revelam que: (a) alguns erros preceptivos decorrem do fenômeno da antecipação cognitiva; (b) esta é acelerada pela prontidão percentual; (c) O treino pode ensinar a avaliar e a reavaliar as percepções; (d) A prontidão perceptual guarda uma relação direta com o grau de atenção. Ou seja, quanto maior a atenção, maior a prontidão e mais facilmente pode ocorrer a antecipação cognitiva.

FAROL DIURNO INDISCRIMINADO FAZ MAL À SAÚDE.

Velho brocardo romano acaba de ser confirmado: Virtus in medio: A virtude está no meio termo. As percepções se otimizam com o estímulo mediano. Muller descobriu que a sensibilidade visual melhora mil vezes com um estímulo médio comparado a um estímulo extremo.

O aumento ou sobreposição de estímulos (luz artificial mais luz natural) produz melhoria perceptiva só no primeiro momento, só no começo do dia ou da viagem. A partir daí a sensibilidade estaciona, começa a declinar e termina provocando o fenômeno da fadiga seguida de stress. Aqui a conexão cortisol é ligada.  Neste estágio quanto mais estímulo, menor sensibilidade. E vice-versa. O uso permanente confunde quantidade de estímulo com qualidade perceptiva. Decorre da ignorância do princípio de que a sensibilidade é uma recíproca do estímulo.

Ensina o Neurologista Paul Chauchard: Cérebro só funciona bem em condições medianas. Qualquer extremo é maléfico. Até oxigênio em demasia é tóxico. Quem vê não são os olhos. Quem vê é o cérebro. Ouvidos ou olhos são apenas decodificadores de freqüência eletromagnética em impulsos neurais. Decodificada a freqüência eletromagnética em linguagem neural, passam a valer as leis universais do sistema nervoso: a Lei do Tudo ou Nada de Writts, o princípio da neurobiotaxe e do Período Refratário. É, pois a percepção cerebral e noérgica (daí o termo poluente cerebral), que estabelece a diferença entre:

*                    Música e barulho; Som e poluição sonora; Degustação e porre; Iluminação e irritação; Proteção e poluição luminosa. O efeito bebedeira é cerebral e sensitivo, obedecendo a leis universais do sistema nervoso. Não há diferença entre defender o uso permanente da buzina ou o uso contínuo e indiscriminado do farol diurno. Ambos os poluentes são tóxicos cerebrais, ambos são degeneradores cerebrais.

Pieron e Muller descobriram que o limiar visual mínimo é um estímulo de apenas dez bilionésimos de vela por cm2. A partir dele nos já enxergamos. Nossa luminosidade tropical é de 150.000 velas por cm2. Ora, a disponibilidade de luz reflexa no nosso país tropical é um estímulo bilhões de vezes superior ao limiar mínimo necessário para enxergar.

Vamos simplificar este raciocínio, reduzido-o á razoabilidade do bom senso: Se uma jamanta necessita de faróis para ser vista, o que dizer do pedestre? E do cão? E do buraco de uma agulha, de uma pulga ou de um mosquito? Tenhamos a humildade de aprender com este sábio anônimo, o pirilampo como usar com sabedoria a luz.

PROTEIN IN THE EYE REGULATES BODY CLOCK, Discovery, 20/12/2002

A protein in the eye regulates the body's internal clock and its daily cycles, according to Stanford University research released Thursday. The study, published in the current issue of Science magazine, shows that a protein in the retina called Melanopsin transmits to the brain information on the amount of light in the environment which determines the internal body clock.

Melanopsin captures light and keeps the body tuned to a daily cycle, called a circadian rythm. "It is the key protein in the eye that sends signals to the clock," said cell biology Professor Steve Kay of the Scripps Research Institute, which conducted a parallel research that confirmed Stanford Univeristy's conclusions. The clock regulates the body's daily cycles, including sleep, hormone production, body temperature and blood pressure. The researchers used genetically engineered mice to show that the mice deprived of melanopsin had a harder time adjusting their natural cycle to the artificial cycles of light and dark, or day and night. The researchers pointed out that so far their conclusions on Melanopsin is limited to areas of little light intensity.

IX - CONCLUSÃO

As descobertas de Khalsa ensinam mais: a poluição luminosa, agregada às demais já existentes, contribui para a aceleração da degeneração cerebral nos idosos e a antecipação da velhice cerebral nos jovens. Se for difícil entender, é bom lembrar: até água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. A consciência ecológica preventiva é mais que necessária, para alertar e para evitar que esta bomba relógio seja disseminada nas avenidas e rodovias do nosso abençoado país, já soberbamente iluminado pela natureza.

 

RESUMO CONDENASADO BIBLIOGRÁFICO

1.       ACKERMANN, Diane, 1992. UMA HISTORIA NATURAL DOS SENTIDOS, RJ, Bertrand

2.       BETTONI, Jacob, 2000 – REVOLUÇÃO DE PARADIGMA NA PSICOLOGIA, Alexandria.

3.      

Tags: farol, poluição luminosa, trânsito, carro, olhos, cérebro

Publicado por bettoni @ 2:27
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